“Meu Caro Amigo”, em turnê no Recife, lota Teatro Apolo
A peça é aplaudida de pé pela multidão de fãs de Chico Buarque
Por Rafaela Morais
Às 19h dessa sexta-feira, uma hora antes do espetáculo “Meu Caro Amigo” começar, a fila na porta do Apolo chegava quase ao começo da rua de mesmo nome. Todos os ingressos para a sexta e para o sábado já estavam vendidos. O segurança do Teatro – com quem eu conversava, casualmente, enquanto tentava encontrar um jeitinho de entrar, sabiamente, comentava: “É o poder do nome de Chico Buarque, minha filha”. “Verdade”, respondia, balançando a cabeça afirmativamente, de olho na movimentação dos produtores.
De fato, todos ali pareciam ser fãs de Chico Buarque e haver escolhido a peça (muitos, inclusive, passado no teatro no dia anterior para comprar os ingressos) porque a história tinha a ver com o compositor, e músicas dele embalariam o espetáculo. Às 20h, quando as cortinas deveriam se abrir, a produção da peça, vendo que ainda restavam algumas dúzias de pessoas fora do teatro com esperança de conseguir um ingresso de última hora, mandou que se colocassem à venda mais 36 ingressos, número de cadeiras que seguiam vazias. Venderam, ainda, outros mais, avisando que as pessoas teriam que ficar nas escadas, mas ninguém pareceu se incomodar.
Como fã deste poeta somente comparável a Fernando Pessoa em precisão do uso da língua portuguesa, achei bastante justo que um dos ingressos de última hora fosse meu. Entramos todos e, às 20h30, começou o espetáculo. A historia é simples: no palco, a personagem Norma (Kelzy Ecard), uma fã de Chico Buarque, abre o coração e declara seu amor ao artista. Ela se apresenta como professora de História do Brasil, e, enquanto narra sua história de paixão pelo compositor, em um monólogo, relembra os fatos mais importantes das décadas de 60 a 80.
O texto abre espaço para algumas músicas do cantor, interpretadas pela atriz ou na voz do próprio artista. A interpretação da atriz é despretensiosa e bem humorada. À sua direita, no palco, em meio a inúmeros LPs de Chico Buarque, uma cama, uma mesa com uma máquina de escrever – com a qual escrevia cartas para o ídolo –, está o pianista João Bittencourt, que acompanha a protagonista quando é sua vez de cantar. O cenário tem, ainda, um quadro negro e está cercado de cortinas, reproduzindo tanto o quarto de infância da personagem, quanto a sala de aula que ocupa já adulta.
A voz da cantora é tão agradável quanto sua performance no palco. Uma platéia tímida se animava quando começavam as canções do nosso idolatrado Chico, e alguns ousavam acompanhar a cantoria. Tudo parecia tão real, tão honesto, que me perguntava se não seria uma auto-biografia disfarçada. Se não era (e não devia ser, afinal, o próprio Chico já disse que pensar que tudo é auto-autobiográfico “enaltece a vida da pessoa, mas subestima a imaginação”), certamente estavam na platéia várias mulheres que sentiam, também, que as músicas haviam sido feitas para elas e que só o compositor as entendia.
Imagino que, para quem viveu os anos da ditadura militar no Brasil, o espetáculo toma uma dimensão ainda mais emocional. A obra do cantor, de fato, reflete essa era e marcou inúmeras vidas. Para quem conheceu Chico há menos anos do que a ditadura existiu, como eu, ainda assim, é um passeio temporal digno de uma aula de História. E, jovens ou quarentonas, todas ali concordamos quando Norma disse que se casaria com Chico imediatamente, se ele a quisesse. Mesmo sem nenhum ator “global” e sem ampla divulgação, o espetáculo foi um sucesso de público, coisa rara por aqui. Vale (mais) a pena para os fãs e para os que viveram essa época ou se identificam, de alguma maneira, com o roteiro.
De fato, todos ali pareciam ser fãs de Chico Buarque e haver escolhido a peça (muitos, inclusive, passado no teatro no dia anterior para comprar os ingressos) porque a história tinha a ver com o compositor, e músicas dele embalariam o espetáculo. Às 20h, quando as cortinas deveriam se abrir, a produção da peça, vendo que ainda restavam algumas dúzias de pessoas fora do teatro com esperança de conseguir um ingresso de última hora, mandou que se colocassem à venda mais 36 ingressos, número de cadeiras que seguiam vazias. Venderam, ainda, outros mais, avisando que as pessoas teriam que ficar nas escadas, mas ninguém pareceu se incomodar.
Como fã deste poeta somente comparável a Fernando Pessoa em precisão do uso da língua portuguesa, achei bastante justo que um dos ingressos de última hora fosse meu. Entramos todos e, às 20h30, começou o espetáculo. A historia é simples: no palco, a personagem Norma (Kelzy Ecard), uma fã de Chico Buarque, abre o coração e declara seu amor ao artista. Ela se apresenta como professora de História do Brasil, e, enquanto narra sua história de paixão pelo compositor, em um monólogo, relembra os fatos mais importantes das décadas de 60 a 80.
O texto abre espaço para algumas músicas do cantor, interpretadas pela atriz ou na voz do próprio artista. A interpretação da atriz é despretensiosa e bem humorada. À sua direita, no palco, em meio a inúmeros LPs de Chico Buarque, uma cama, uma mesa com uma máquina de escrever – com a qual escrevia cartas para o ídolo –, está o pianista João Bittencourt, que acompanha a protagonista quando é sua vez de cantar. O cenário tem, ainda, um quadro negro e está cercado de cortinas, reproduzindo tanto o quarto de infância da personagem, quanto a sala de aula que ocupa já adulta.
A voz da cantora é tão agradável quanto sua performance no palco. Uma platéia tímida se animava quando começavam as canções do nosso idolatrado Chico, e alguns ousavam acompanhar a cantoria. Tudo parecia tão real, tão honesto, que me perguntava se não seria uma auto-biografia disfarçada. Se não era (e não devia ser, afinal, o próprio Chico já disse que pensar que tudo é auto-autobiográfico “enaltece a vida da pessoa, mas subestima a imaginação”), certamente estavam na platéia várias mulheres que sentiam, também, que as músicas haviam sido feitas para elas e que só o compositor as entendia.
Imagino que, para quem viveu os anos da ditadura militar no Brasil, o espetáculo toma uma dimensão ainda mais emocional. A obra do cantor, de fato, reflete essa era e marcou inúmeras vidas. Para quem conheceu Chico há menos anos do que a ditadura existiu, como eu, ainda assim, é um passeio temporal digno de uma aula de História. E, jovens ou quarentonas, todas ali concordamos quando Norma disse que se casaria com Chico imediatamente, se ele a quisesse. Mesmo sem nenhum ator “global” e sem ampla divulgação, o espetáculo foi um sucesso de público, coisa rara por aqui. Vale (mais) a pena para os fãs e para os que viveram essa época ou se identificam, de alguma maneira, com o roteiro.
Legenda: A direção do roteiro de Felipe Barenco é de Joana Lebreiro, com direção musical de Marcelo Alonso Neves.
Nenhum comentário:
Postar um comentário