domingo, 29 de novembro de 2009

Forró


Não, nós não vamos coleguinhas!
A música que não só mói, trituras os ouvidos

Por: Nathália Araujo
Qual é o segredo do sucesso do Forró do Muído?

Cada dia surge uma nova banda de forró, e cada uma com um nome mais diferente (ou não). É uma mistura de classes gramaticais sem nenhuma conexão, e não seria diferente com o Forró do Muído. O que leva uma pessoa a colocar um nome assim? Realmente queria descobrir. Mas deixando a questão da nomenclatura de lado, vamos ao que interessa. O Forró do Muído é uma banda cearense liderada por um homem e duas mulheres (elas que são as responsáveis pelo sucesso da banda). Ah, vale lembrar que elas cantavam com Frank Aguiar. Simara e Simone inventaram um bordão falado por milhares de forrozeiros, o famoso vamos coleguinha! Ele é sempre dito nas músicas, começou a música, inicia a cessão de vamos coleguinha.
Tive a chance de assistir um show gravado em Aracaju. Esse é uma característica das bandas de forró, é que a cada apresentação gravam um DVD. Foi um pouco difícil ficar na frente da TV e assistir até o fim. São muitas as razões, a primeira era a qualidade do som, mesmo com toda a estrutura do palco, ele estava muito baixo, alguns instrumentos se sobressaiam mais do que outros. Outro problema é a dicção das coleguinhas. Só dá para entender algumas palavras, a letra completa de uma música é impossível. Talvez seja por isso repetirem a música três a quatro vezes. A única coisa que dava para entender eram bordões. O já citado “vamos coleguinha”, a pisadinha e um e aê, tudo isso dito várias vezes, eu até tentei contar, mas foi impossível. Sem contar que eles três ficam conversando o tempo todo, agradecendo aos fãs clubes e fazendo a propaganda da produtora. E o que todos chamam de uma marca da banda, para mim, é algo totalmente inadequado, o saxofone parecendo entupido, porque o som que ele faz é terrível.
O difícil de entender é porque eles não têm um corpo de baile. Até as bandas iniciantes possui dois ou três casais. Os bailarinos, quando dançam bem e estão vestidos com roupas e não de calcinha e sutiã, dão um charme a mais no show. Talvez a beleza de Simara e Simone seja suficiente (e não estou sendo irônica, elas são bonitas). Só deveriam ter um figurino melhor, passam o show todo com a mesmo roupa, e diga assim de passagem não é um dos mais bonitos.
Mesmo tendo dificuldade de entender as músicas, a maioria das letras não falam de mulher, cachaça, chifre e farra. Elas são românticas, uma ou outra fala dessas baboseiras, a exemplo de uma bastante conhecida “ô menininha cadê seu pai? Não sabo, não sabo”. Não escrevi errado, é assim mesmo que cantam, e ainda mais com voz infantil. E quando eu pensava já ter ouvido tudo, me enganei! Tocaram o rit evangélico “Como Zaqueu”. Hã? Uma música religiosa para um público que só está afim de farrar e beber. Talvez nem as coleguinhas estivessem sentindo a profundidade da letra.
E a pergunta que não quer calar é: O que faz uma pessoa escutar o Forro do Muído? Porque não dá para entender nada do que eles cantam. Por que ir para um show onde não se preza pela qualidade? Será pura “arriaçao” ou as pessoas estão absorvendo tudo o que a mídia empurra para eles. Não estou dizendo que todos devem escutar Lenine, Vanessa da Mata, Chico Buarque, Maria Betânia. Não é isso, porque se fosse assim as rádios seriam muito chatas. Mas, por que bandas de forró que mal tem estrutura fazem tanto sucesso. Porque ainda existem bons forrós, como Limão com Mel, Maguiníficos, Mastruz com Leite e eles tocam nas rádios, porém deixaram de ser a preferência. Será que as letras românticas são para pessoas mais velhas, e o gosto da juventude é para as letras vazias e repetitivas? Mas se fosse assim, os adultos não escutariam. E será que o forró caminha para isso, e letras como “e na nossa cama só tá faltando você, já tentei já fiz de tudo para esquecer, tá difícil dominar o coração” vão á lugar a “bote a mão na cabeça, vai até em baixo que eu quero ver, desce na raladinha”?

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