
O mago é imortalizado por Fernando Morais
Livro conta a vida de sexo, drogas e rock n roll de Paulo Coelho, o homem que conseguiu realizar seu sonho de se tornar um escritor mundialmente famoso.
Por Rafaela Morais
“A incrível história de Paulo Coelho, o menino que nasceu morto, flertou com o suicídio, sofreu em manicômios, mergulhou nas drogas, experimentou diversas formas de sexo, encontrou-se com o diabo, foi preso pela ditadura, ajudou a revolucionar o rock brasileiro, redescobriu a fé e se transformou em um dos escritores mais lidos do mundo”. Assim está descrita a biografia O Mago, em sua capa. Com o livro na mão, na livraria, eu só pensava que, com essa trajetória, não precisava ser a história do escritor vivo mais traduzido no mundo: poderia ser qualquer desconhecido e, ainda assim, pareceria um livro interessante e eu teria aquela vontade de comprá-lo.
Fernando Morais, o maior autor de biografias do Brasil, investigou a vida e acompanhou a rotina do escritor que é um fenômeno de popularidade mundial (e, paradoxalmente, de crítica negativa no país). O Mago é a impressionante história do escritor que, hoje, tem mais de 100 milhões de livros vendidos, uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e é recorde de tradução no planeta. A trama é atraente e, como esperado de um livro de Fernando Morais, é uma boa leitura: é bem escrito, ágil e cheio de assuntos polêmicos para serem pensados e discutidos – aborto, depressão, doenças mentais, drogas, opção sexual, magia negra, traição, entre outros.
A maior parte do livro está voltada para a relação problemática de Coelho com os pais, sua evolução espiritual e seus relacionamentos amorosos atribulados. Os capítulos começam com chamadas instigantes, e o leitor segue as linhas com ansiedade, na busca de uma história complexa e relevante. O livro traz trechos dos diários de Coelho, lembranças da vida antes da fama e o percurso até a realização da sua obsessão de ser um escritor famoso. Se a vida do autor é, de fato, interessante, Fernando Morais a descreve como quase messiânica, com uma espetacularização constante dos eventos.
A tal magia à qual se refere o título parece contaminar um pouco as páginas do livro. Senti alguma decepção quando, ao final dos capítulos, muitas vezes se revelam histórias que poderiam ser contadas em duas páginas – e não em vinte. Como toque de neutralidade, no entanto, Morais não deixa de mostrar os erros e o caráter duvidoso do personagem. O resultado geral é um livro que tem mais o estilo de Paulo Coelho do que o do autor das palavras, Fernando Morais. Que não me levem a mal os fãs de qualquer um dos dois (como, aliás, eu mesma sou), mas falta um ceticismo que foi constante na obra de Morais, como se percebia nos antológicos Olga e Chatô e que torna a história mais isenta e aberta a interpretações próprias do leitor.
Terminado o passeio pelos 61 anos de vida de Paulo Coelho, o que fica como lição deste livro, para mim, é o tamanho do esforço do escritor em conseguir e alcançar o que sempre quis na vida – que não era pouco, uma vez que seu sonho sempre foi ser um escritor famoso no mundo inteiro. O caminho até esse seu status atual foi árduo e doloroso, mas serve como um belo exemplo de obstinação. Para quem não gosta do autor de O Alquimista, não se espante se O Mago for o único livro com o nome Paulo Coelho que você sinta vontade de comprar: ele poderia ser sobre qualquer desconhecido e, ainda assim, seria um livro interessante e que mereceria ser lido.
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