
Série revoluciona a visão dos dramas médicos
Mistério, irreverência e sarcasmo são alguns dos ingredientes da produção americana
Por Thaisa Lisboa
Inovadora. Essa é a palavra que melhor define a série norte-americana mais aclamada dos últimos tempos, Dr. House. Criada por David Shore o seriado, que está na sua sexta temporada, tem como objetivo solucionar mistérios médicos. No centro deste drama encontram-se uma vilã e um anti-herói: a doença e o médico irreverente, controverso, anti-social, mal-humorado, sarcástico, e sexy, muito sexy, Dr. Gregory House (Hugh Laurie).
House (para os íntimos!) é um infectologista e nefrologista respeitado que se destaca não só pela capacidade de elaborar excelentes diagnósticos diferenciais como se montasse um quebra-cabeça, mas também por seu comportamento anti-social, já que o mesmo acredita que a interação com os seus pacientes não seja necessária.
House é o chefe do departamento de Medicina Diagnóstica do hospital universitário fictício Princeton-Plainsboro Teaching Hospital. Ele comanda uma equipe, da qual faziam parte, nas três primeiras temporadas, os seguintes personagens: Dra. Alisson Cameron (Jennifer Morrison); uma imunologista; Dr. Robert Chase (Jesse Spencer), um médico intensivista; e o Dr. Eric Formean (Omar Epps), um neurologista. Além deles, outras personagens essenciais são Dra. Lisa Cuddy (Lisa Edelstein), diretora do hospital e endocrinologista, e o Dr. James Wilson (Robert Sean Leonard), oncologista, único e melhor amigo de House.
Na quarta temporada, há mudanças de elenco, que conta com a inclusão de novos médicos. A equipe cresceu com as chegadas do Dr. Chris Taub (Peter Jacobson), um cirurgião plástico; Dr. Lawrence Kutner (Kal Penn), um médico do esporte e fisiatra e Dra. Remy Hadley “Thirteen”(Olívia Wilde), uma médica clínica, o único da antiga turma é o Dr. Foreman
A atuação de Laurie é impecável desde os primeiros capítulos. É impressionante como o ator consegue encarnar o personagem e convencer o telespectador de que tudo o que ele fala é verdade, além de nos fazer pensar que o “House” é de verdade, ou ainda, de que “Eu queria um House na minha vida!”.
O que eu vou escrever agora não interprete, caro leitor, como algo ‘feminista’, mas é preciso elogiar e aplaudir de pé a atuação das atrizes deste drama médico. Parece mais que elas foram escolhidas a dedo! Lisa Edelstein interpreta um endocrinologista respeitada, sofisticada e de pulso firme. Esse ar de "mulher-moderna-profissionalmente-independente" é transmitido não só pelos seus sermões, mas também pelo seu figurino, maquiagem e pelo seu texto. A personagem de Edelstein é a que mais bate de frente House. Na verdade, o relacionamento deles é meio duvidoso, né? Eles têm uma relação de amor e ódio deliciosa de se ver.
Jennifer Morrison me chamou a atenção desde o começo, também. A personagem dela, Dra. Cameron , é outra que enfrenta House com pulso firme. A atriz mostra nesta série o quanto é convincente em seus papéis e o quanto amadureceu desde os tempos de Dawson’s Creek. Olívia Wilde dá show ao interpretar a exótica “Thirteen”. Na série, ela tem um desempenho marcante com a equipe. Além disso, ela ratifica o sexy appeal dela, utilizado quando viveu a bissexual Alex Kelly (The O.C), está mais forte do que nunca!
Entre os atores, falarei apenas de alguns, sorry! Robert Sean Leonard é um típico personagem secundário que ajuda o ator principal nas suas questões existenciais. Já o personagem de Epps, não sei se isto tem a ver, mas por ser o único negro do elenco, me parece que é o que mais teme House. Sua atuação é boa como a dos outros atores. Em suma, o que deixa transparecer é uma equipe bem entrosada. Ao menos química eles têm! E isso fica claro. Fato!
O diálogo é rico em trocadilhos (tipo gracinhas, entendem? Na produção, um assunto pessoal misturado com o profissional) com termos científicos. E muita lógica! Como é típico de House mostrar aos outros que ele tem sempre razão, o protagonista recorre muitas vezes ao ‘Método Socrático’ (criado pelo filósofo Sócrates, que leva uma pessoa, por seu próprio raciocínio, ao conhecimento ou à solução de sua dúvida). Confesso que, às vezes, eu não consigo acompanhar os diálogos. Primeiro, porque eles falam rápido demais! My English is good, but no that good! E também porque eu sou um pouco lentinha no raciocínio lógico. Triste. Eu sei!
A abertura da série é do gênero cold open (que em TV consiste em contar a história do começo. Ela é passada antes dos créditos subirem, o que leva o envolvimento rápido do telespectador com a trama). A grande maioria dos episódios começa fora do hospital, com pessoas anônimas. Elas apresentam vários sintomas de uma doença tratada em cada um desses episódios. Embora sejam raras, as doenças são reais. No decorrer da trama, muitos dilemas dos personagens são postos
Os efeitos visuais são utilizados para explicar a doença
O figurino não chega a ser algo que destoe do conceito da série. A maquiagem também não é algo gritante. A seqüência de abertura tem início com o título e uma ressonância magnética, cuja forma de cabeça fica desfocada, aparecendo a personagem Dr. House. A abertura emprega um número de cenários que acompanham os nomes dos atores. As imagens mostradas são representações antigas de anatomias e raios-x bem como desenhos de partes corporais. A trilha sonora de abertura fica por conta de um excerto de ‘Teardrop’, do Massive Attack (quando ouço essa música, já sei que é hora de assistir à série. É como a vinheta do Jornal Nacional, anunciando a hora da janta).
House não atingiu o seu sucesso pela atuação ímpar de Hugh Laurie ou por ser uma série médica investigativa envolvente. Nem tão pouco pela interação da equipe, mas sim, pela soma de todos esses fatores. House é tão fascinante que só de assistir alguns minutinhos, o telespectador se deixa levar pelo delicioso instinto investigativo. Eu que o diga!
Legenda da foto: O ator Hugh Laurie interpreta o intrigante e respeitado Dr. House.
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