Plágio ajuda a promover o tecnobrega
Sucesso da Djavú abre espaço para bandas paraenses
Por Blenda Souto Maior
Depois do fenômeno musical impulsionado pela indústria pirata, e ironicamente chamado de Djavú, todos agora conhecem o tecnobrega. Tá todo mundo cantando ‘rubi nave do som’, e o pior, sem nem saber o significado da expressão e achando engraçada a ‘letra desconexa’.
O sucesso da Banda Djavú foi verdadeiramente meteórico. Apesar de não ser o tecnobrega legítimo do estado do Pará, mas uma cópia vinda diretamente da Bahia, a banda é responsável pela popularização do ritmo Brasil a fora, tocando, ou tentando tocar o tecnomelody, uma vertente mais lenta e melódica do tecnobrega. O sucesso é tão grande que a Djavú, que estourou no mercado no final de 2008, já vendeu milhares de CDs piratas, já fez turnês pelo país inteiro e tem uma música na trilha sonora da novela ‘Bela a feia’ da Rede Record. Mas, na verdade, a Banda Djavú nada mais é do que uma compilação de várias cópias de bandas do Pará, como a Banda Ravelly, uma das principais lesadas. Apesar do plágio, a Djavú abriu caminho para outras bandas e tornou popular um dos fenômenos musicais mais ricos e interessantes do Brasil, o tecnobrega.
Ok, todo mundo conhece a Banda Djavú, mas será que todos sabem realmente o que é o tal do tecnobrega? Então vamos lá. O tecnobrega é um ritmo original da periferia do estado do Pará, surgido lá na década de 60, com influência da jovem-guarda, com guitarra, baixo e bateria. É uma evolução do brega, que usa muita tecnologia e mistura a batida do brega e o som eletrônico dos samplers e aparelhagens. O tecnobrega é um fenômeno de massa, nasceu na periferia e agora está se popularizando em todo o país.
O ritmo é acelerado, envolvente e dançante, as músicas são uma mistura de teclado, guitarra e do som eletrônico do tecno, e tudo acompanhado de muita tecnologia, lap tops, raios lasers e cdjs. As letras basicamente falam de sexo, muito sexo, e dos elementos pertencentes ao universo do tecnobrega, como as aparelhagens, que são as equipes de som que tocam nas festas paraenses. A dança é uma mistura do brega tradicional com coreografia mirabolante e gestos eróticos. Tudo isso somado a roupas prateadas, cabelos coloridos e fogos de artifício. Já deu pra perceber a diversidade que é o tecnobrega, não?
O termo “rubi nave do som”, da música ‘Rubi’, que foi gravada por diversas bandas além da Djavú, faz referencia exatamente a uma das aparelhagens mais famosas e tradicionais de Belém, a Rubi, onde os DJs tocam numa plataforma, no formato da pedra rubi, fazendo parecer uma nave.
O tecnobrega não é somente um ritmo, uma música, é um estilo, um comportamento. É um conjunto de códigos socias. A Banda Djavú, apesar de ser uma cópia das bandas paraenses e sem os elementos típicos, conseguiu difundir o estilo, revelou um universo cultural, abrindo espaço no mercado do sudeste para as bandas que realmente tocam o tecnobrega, as bandas do Pará. Só resta saber se isso realmente vai acontecer, ou se a Banda Djavú vai ficar com todo o mérito.